domingo, 30 de setembro de 2007

Indieotas 28-09: SPOON

O Indieotas da semana passada trouxe uma das bandas mais reconhecidas da cena indie atual, a texana Spoon.

Britt Daniel, líder e guitarrista, formou a banda por volta de 1994 junto do baterista Jim Eno. A escolha do nome é uma homenagem ao hit Spoon da banda experimental alemã Can, uma das mais influentes do rock dos anos setenta. Já se vão treze anos desde que os dois promoveram o nascimento da banda, que atualmente colhe os frutos do excelente álbum Ga Ga Ga Ga Ga, lançado em agosto. Esse é o mais bem sucedido disco da carreira dos caras e é uma pérola do pop contemporâneo, delimitando com precisão a excelência do quarteto em realizar um som bem característico que não se prende às limitações de um único gênero. Tudo resultado de uma evolução concisa desde a estréia em Telephono.

Foi em 96 que saiu Telephono, onde os quatro ainda bebiam descaradamente da fonte do Pixies e do indie americano pré-Nirvana. Depois veio o desastroso Series Of Sneaks, lançado pela major label Elektra e que acabou resultando na demissão da banda da gravadora. Uma injustiça, já que o disco não é nada ruim. Apesar de continuar devendo muito ao rock da garagem surgido dez anos antes, já se percebe uma cara mais Spoon em músicas como Metal Detektor e 30 Gallon Tank. Em 2001 vem a virada de mesa com Girls Can Tell, o primeiro sinal do amadurecimento de Britt Daniel como compositor. Kill The Moonlight de 2003 abusa de pianos, sintetizadores e da mistura de gêneros musicais. Ecos de elvis Costello, Prince, Rolling Stones, Pixiese e até influências de Krautrock podem ser achadas nesse disco. Gimme Fiction, disco de 2005, traz pérolas rock como The Two Sides Of Monsieur Valentine e Sister Jack, e o R’n’B bizarro de I Turn My Camera On é uma delícia, soando como um dos lapsos experimentais do Prince, com os vocais suspirados de Britt Daniel.


O último e mais brilhante disco, Ga Ga Ga Ga Ga, recebeu críticas favoráveis de quase toda a mídia especializada. Reconhecido como um daqueles álbuns que crescem a cada audição, nele o Spoon prova que não tem medo de experimentar e com isso até conseguem um certo lucro, conquistando mais e mais fãs. Jim Eno e Britt Daniel trabalham com excelência na produção do álbum, usando recursos de estúdio em todas as músicas. O primeiro single, The Underdog, é radiante, aberto pelos metais meio mariatchi trabalhando em peso e com as letra ecoando um protesto à mediocridade.

Vale a pena conferir todo o trabalho dessa banda que é, sem dúvida, uma das melhores na atividade pelo mundo da música pop. Visite o site oficial: http://www.spoontheband.com/

Download: Pack de 7 músicas do Spoon

Tracklist:

1.The Government Darling (faixa 13 de Telephono)

2.Metal Detektor (faixa 7 de A Series Of Sneaks)

3.Jealousy (daixa 3 de Love Ways EP)

4.Me and The Bean (faixa 3 de Girls Can Tell)

5.Stay Don’t Go (faixa 4 de Kill The Moonlight)

6.My Mathematical Mind (faixa 4 de Gimme Fiction)

7.Finer Feelings (faixa 9 de Ga Ga Ga Ga Ga)

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domingo, 23 de setembro de 2007

INDIEOTAS: 14 DE SETEMBRO

I'm From Barcelona


No penúltimo programa do dia 14 de setembro, o quadro "Indieotas" ficou sob minha responsabilidade. Confesso que a dificuldade de encontrar uma banda nova e a altura dos ouvintes ziriguiduenses (quem?) foi grande, mas tentei fazer meu melhor. Resolvi levar então uma banda da qual já tinha ouvido falar e que sempre me despertou curiosidade, porém nunca tinha dado muita bola: I'm From Barcelona. Mas, ao contrário do que o nome sugere a banda não surgiu na cidade espanhola, e sim na distante Suécia, mais precisamente na cidade de pouco mais de 80 mil habitantes, Jönköping, a quatro horas da capital Estocolmo. O nome I’m From Barcelona vem na verdade do bordão de um atrapalhado garçom chamado Manuel, do seriado britânico "Fawlty Towers", da década de 70.

Emanuel Lundgren, o fundador da banda


Era verão na Europa em 2005, quando o músico Emanuel Lundgren resolveu escrever algumas canções, antes de sair de férias. A intenção era formar um coral com um grupo de amigos e gravá-las. Não havia pré-requisitos para entrar na brincadeira, de modo que a coisa foi crescendo até atingir os vinte e nove integrantes que hoje compõem o I'm From Barcelona. Entre eles estão professores, enfermeiros, estudantes, designers, jornalistas e até um biólogo marinho.

Nem adianta contar. Os vinte e nove não estão aí.


Depois de alguns ensaios no apartamento de Emanuel, a banda gravou um EP caseiro, intitulado “Sing!”, e fez sua primeira apresentação ao vivo. E esse era para ser o fim de um projeto de Emanuel que nem havia começado direito. Mas a banda acabou caindo nas graças do público, principalmente na internet, o que lhe rendeu mais de 20 mil downloads no site oficial. Em janeiro de 2006 a banda assinou contrato com a EMI e gravou o primeiro EP oficial, “Don’t Give Up On Your Dreams, Buddy!”. Em junho foi a vez de lançarem o primeiro álbum, “Let Me Introduce My Friends”.

O disco é uma mistura de experimentações com vários instrumentos como acordeões, banjos, flautas, teclados, trompetes e clarinetes. Suas letras simples e cheias de lalalas parecem celebrar os raros dias de sol do verão sueco. Os destaques ficam por conta de “Oversleeping”, “Treehouse” e “We’re From Barcelona”, essa que é talvez a música mais famosa da banda. Seu refrão contagiante, encabeçado por várias vozes, torna impossível para qualquer pessoa não sorrir. Tudo isso misturado à excentricidade de um grupo de vinte e nove suecos faz dessa uma das bandas mais animadas a surgir nos últimos tempos. É pop para decorar e cantar junto!

Download do álbum Let Me Introduce My Friends aqui

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sábado, 15 de setembro de 2007

INDIEOTAS 31-08: The Fratellis

Mince (bateria), Jon (guitarra e vocais) e Barry (baixista)



No já distante programa de 31 de agosto fui a encarregada do quadro INDIEOTAS. Não sabia bem o que fazer; queria alguma banda mais nova - mas a cada milésimo de segundo surge uma banda indie em algum lugar remoto do mundo, ou ali na esquina mesmo...Então foi quando, navegando pela internet, encontrei uma tal de Fratellis, banda de Glasgow, Escócia. Já tinha ouvido falar e até ouvido um pedaço de "Flathead", mas não tinha botado muita fé. Viciei. Até hoje, duas semanas mais tarde, estou viciada. Viciei a Carol minha amiga e ziriguiduense. Comprei o cd! (Costello Music, lançado em setembro do ano passado). Decorei as letras. Não consigo parar!

Mince Fratelli, Jon Frateli e Barry Fratelly não são italianos nem irmãos, e nenhum deles tem de fato esse sobrenome. São várias as teorias do porque do nome, inclusive a de que eles se inspiraram nos irmãos Fratelli do filme Os Goonies, mas isso já foi negado pela própria banda. Outra hipótese é de que o sobrenome do baixista Barry seria mesmo Fratelli, e o baterista Mince e o guitarrista Jon teriam assumido o nome porque a amizade entre eles é forte como uma irmandade. De qualquer forma, os três amigos se juntaram graças a anúncios colocados numa loja de discos, e em setembro de 2006, depois de três singles e um EP, lançaram o primeiro álbum. Com os Fratelli não tem tempo ruim! Todas as treze faixas são bem animadinhas, praticamente nenhuma balada (a não ser por "Whistle for the choir", que não chega a ser balada também...).




"These are crazy times down at Costello Music"- trecho de Henrietta


"Henrietta" abre a sequência. A talvez mais famosa da banda, "Flathead", vem em seguida. Daí "Whistle for the choir" vem pra manerar a animação dos garotos. "Chelsea Dagger", quarta faixa, é uma das melhores de Costello Music. O "tchururu tchururu tchururururururu" é pegajosérrimo! Na verdade não tem nenhuma música que não seja boa nesse disco. "Creepin up the backstairs", "Everybody knows you cried last nigth", "Baby Fratelli" e a bônus track "Cuntry boys & city girls" são os outros destaques.

A formação de trio, com guitarra, baixo e bateria dá conta direitino do recado, e o som ainda sai limpo (não que eu não goste de quando ele é sujo!), nada de barulheira. Os três cantam, muitas vezes ao mesmo tempo, o que faz tudo ainda mais divertido! Desde as letras cheias de rimas e que falam dos assuntos mais frívolos sem nunca deixar de ser criativas, passando pelos "ahas" e "woo hoos", tudo nos Fratellis é divertido. E essa é a essência do rock. Ao ouvir The Fratellis você vai inevitavelmente se lembrar de várias outras coisas, mas nada em particular. Isso porque eles conseguem impor personalidade à música, e uma banda que faz isso não se encontra todos os dias.

Faça o download de Costello Music

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